Halloween com crianças dos 2 aos 4 anos: o que fazer se aparecer o medo?
Como aproveitar os disfarces e as brincadeiras sem obrigar os mais pequenos a enfrentar aquilo que os assusta.

Porque é que o meu filho se pode assustar com algo que nos parece divertido?
A nós, adultos, uma máscara, um monstro de cartão ou uma teia de aranha a fingir podem parecer divertidos. Para uma criança pequena, uma cara conhecida que desaparece debaixo de um disfarce, um barulho inesperado ou uma personagem que se aproxima demasiado podem ser desconcertantes.
Nestas idades, perceber que algo é a fingir nem sempre basta para deixar de sentir medo. A imaginação avança, mas distinguir entre o que acontece numa brincadeira e o que poderia acontecer a sério continua a ser uma aprendizagem.
A Academia Americana de Pediatria explica que as crianças pequenas podem ter dificuldade em separar a fantasia da realidade. Por isso, recomenda prepará-las com antecedência para o Halloween: ler uma história, mostrar-lhes o disfarce antes de o vestirem ou explicar-lhes o que vão encontrar pode tornar a experiência mais previsível.
Para que serve o medo e o que aprende o meu filho quando o acompanho?
O medo tem uma função protetora: ajuda-nos a detetar possíveis ameaças e a preparar-nos para lhes responder. Na infância, também pode surgir perante situações imaginárias ou que nós, adultos, sabemos que são seguras, porque as crianças pequenas ainda estão a aprender a interpretar algumas experiências e a distinguir entre a fantasia e a realidade (Gullone, 2000).
Nesses momentos, a presença, a voz calma e o apoio sensível do adulto ajudam a criança a sentir-se segura enquanto aprende a lidar com as suas emoções. Não podemos exigir que uma criança de três anos gira sozinha um medo que ainda não consegue compreender.
Também não precisamos de evitar todas as situações que a assustam. Acompanhá-la sem a forçar permite-lhe descobrir, aos poucos, que consegue enfrentar algumas situações que a inquietam, com a nossa ajuda e ao seu próprio ritmo.
Devo incentivar o meu filho a vencer o medo?
Não é preciso transformar o Halloween numa prova de coragem. Se uma criança se assusta, obrigá-la a aproximar-se de um disfarce, desvalorizar o que sente ou rir-se da sua reação pode aumentar o seu mal-estar.
Quando lhe diz «estou a ver que te assustaste; estou aqui contigo», está a dar-lhe apoio para enfrentar esse momento. Esta ajuda faz parte da corregulação: o processo através do qual os adultos acompanham as crianças na gestão das emoções enquanto elas desenvolvem as suas próprias capacidades para as regular.
A investigação sobre as interações entre mães e filhos em idade pré-escolar indica que uma resposta afetiva sensível e flexível está relacionada com o desenvolvimento posterior da autorregulação (Lobo e Lunkenheimer, 2020).
Respeitar o seu ritmo não significa que nunca vá enfrentar situações que a incomodam. Significa que pode fazê-lo de forma gradual, com apoio e sem se sentir pressionada. O objetivo não é que deixe de ter medo, mas sim que aprenda que pode exprimir o que sente e pedir ajuda quando precisa.
Como aproveitar o Halloween com Cleo e Cuquin?
- Vejam juntos a aventura de Halloween de Cleo e Cuquin. Antes de saírem para uma festa ou de decorarem a casa, podem ver Una pesadilla de Halloween («Um pesadelo de Halloween»). O Cuquin assusta-se numa casa assombrada e a Cleo procura uma forma de resolver a situação. No fim, pode perguntar ao seu filho: «O que achas que assustou o Cuquin?», «O que farias tu?» ou «O que te ajuda a sentires-te seguro quando alguma coisa te mete medo?». Não é preciso que responda: ouvir, apontar para uma imagem ou contar algo da sua própria experiência também são formas de participar.
- Explorem antes de sair. Mostre ao seu filho fotografias de disfarces ou preparem juntos uma decoração simples. A Cleo e o Cuquin podem acompanhar-vos nesta exploração: de que disfarce gosta? Qual lhe parece estranho? O que gostaria de experimentar?
- Deixem-no escolher. Pode preferir uma bandolete, uma capa ou simplesmente usar um acessório. Não precisa de se disfarçar dos pés à cabeça para participar.
- Brinquem a transformar o desconhecido. Se uma máscara o assusta, podem olhar para ela juntos, deixá-la numa cadeira e descobrir quem está por trás quando a pessoa a tirar. Sem surpresas nem aproximações forçadas.
- Ponham em palavras o que ele sente. Se se assustar, experimente dizer «esse barulho meteu-te medo» ou «esse disfarce surpreendeu-te». Evite «não se passa nada» ou «não sejas medricas»: mesmo que o queira tranquilizar, ele pode sentir que não o compreende.
- Sigam os sinais dele. Se quiser continuar, acompanhem-no. Se precisar de uma pausa ou de ir embora, façam-no. Também podem celebrar o Halloween em casa, com luzes suaves, música, desenhos e brincadeiras calmas.
A melhor celebração não é aquela em que a criança se atreve a tudo, mas sim aquela em que pode descobrir, divertir-se e dizer «disto não gosto» sem deixar de se sentir acompanhada.
Para jogar
Descobrir quem se esconde por trás de cada disfarce, dar nome ao que sentimos e acalmar-nos a respirar.
Quem está por trás do disfarce?Para imprimir
O pequeno explorador do Halloween: uma atividade para escolher um disfarce, identificar emoções e decidir o que fazer quando algo nos assusta.
Descarregar PDFPerguntas frequentes
É normal uma criança de 2 ou 3 anos ter medo de disfarces?
Sim. As máscaras, as mudanças de aparência e os barulhos podem ser desconcertantes. Respeite a reação dela e deixe-a observar a uma distância a que se sinta segura.
Devo dizer ao meu filho que os monstros não existem?
Pode explicar-lhe que o monstro do disfarce é uma pessoa a fingir ser uma personagem. Ainda assim, ele pode continuar a sentir medo; acompanhe-o sem lhe exigir que se acalme de imediato.
E se o meu filho não quiser celebrar o Halloween?
Não faz mal. Pode participar de outra forma, fazer uma atividade calma em casa ou não participar. Não precisa de gostar de todas as festas para se desenvolver bem.
Como é que Cleo e Cuquin podem ajudar a falar sobre o medo?
Através de histórias, disfarces e brincadeiras de faz de conta, Cleo e Cuquin podem servir de ponto de partida para que a criança diga do que gosta, o que a assusta e o que a ajuda a sentir-se segura.
Referências
- American Academy of Pediatrics. Easing Babies & Toddlers into Halloween Fun: 8 Tips for Parents. HealthyChildren.org.
- American Academy of Pediatrics. Emotional Development in Preschoolers. HealthyChildren.org.
- Gullone, E. (2000). The development of normal fear: A century of research. Clinical Psychology Review, 20(4), 429-451. https://doi.org/10.1016/S0272-7358(99)00034-3
- Lobo, F. M., & Lunkenheimer, E. (2020). Understanding the parent-child coregulation patterns shaping child self-regulation. Developmental Psychology, 56(6), 1121-1134. https://doi.org/10.1037/dev0000926
Assinatura da especialista: Valle Molinero, Psicóloga registada M-33177, Co&Co Training
Data de revisão: 25 de outubro de 2026
Mais guias

Medo do escuro e do desconhecido
Através da personagem Pelusin, Cleo e Cuquin transmite que ter medo é normal e que se pode enfrentar pouco a…

Da birra à aprendizagem
Cleo e Cuquin promove a autorregulação emocional ao transformar os erros e a frustração em missões de…

As rotinas de sono na primeira infância
Funciona como um desencadeador comportamental e uma rotina de previsibilidade auditiva. Ao repetir-se diariamente no final do…
