Ensinar a identificar as emoções: como ajudar meu filho a dar nome ao que ele sente?
Aprender a reconhecer as emoções é o primeiro passo para compreendê-las e expressá-las. Descubra como ajudar seu filho com situações do dia a dia e com as aventuras de Cleo e Cuquin.

Por que meu filho tem dificuldade para explicar o que está sentindo?
Uma criança pode chorar, gritar, se esconder ou ficar em silêncio sem conseguir explicar o que está acontecendo com ela. Às vezes vemos o comportamento, mas não conhecemos a emoção que está por trás. Ela pode até sentir várias coisas ao mesmo tempo.
Entre os 2 e os 6 anos, as crianças estão aprendendo a reconhecer o que sentem e a explicar isso. Nem sempre conseguem distinguir se estão bravas, decepcionadas, nervosas ou tristes.
Por isso, quando tentamos ajudar, não precisamos começar perguntando “o que você tem?”. Podemos tentar algo mais simples: “Você ficou com raiva porque não saiu do jeito que você queria?”.
Não se trata de adivinhar o que a criança sente, e sim de oferecer palavras para que ela possa reconhecer isso aos poucos.
A pesquisa de Denham e colaboradores mostrou que as crianças que compreendiam melhor as emoções também tinham mais habilidades para se relacionar com os outros. Aprender a reconhecer o que sentimos pode nos ajudar a entender também o que acontece com as pessoas ao nosso redor.
Adianta dar nome ao que meu filho sente?
Imagine que seu filho está brincando e uma torre cai bem na hora em que ele estava quase terminando.
Ele pode gritar, jogar as peças longe ou sair bravo. Nesse momento, talvez ainda não consiga explicar o que o incomodou.
Você pode se aproximar e dizer: “Puxa! Caiu bem quando você estava terminando. Você ficou com raiva?”.
Às vezes, encontrar uma palavra para o que sentimos nos ajuda a entender melhor o que está acontecendo.
Em uma pesquisa de Lieberman e colaboradores, adultos que davam nome a emoções enquanto observavam imagens apresentavam uma resposta menor em algumas áreas do cérebro relacionadas às emoções. Esse trabalho nos ajuda a compreender por que falar sobre o que sentimos pode ser útil, mas não significa que dar nome a uma emoção vá acalmar uma criança automaticamente.
O importante é acompanhar a criança sem impor a nossa interpretação.
Se você diz “você está triste” e ele responde “não, eu estou bravo!”, pode aproveitar para perguntar o que aconteceu. A conversa importa mais do que acertar de primeira.
Como uma criança aprende a diferenciar as emoções?
Aprendemos a reconhecer as emoções observando situações, ouvindo como outras pessoas as descrevem e relacionando-as com as nossas próprias experiências.
Não basta mostrar uma carinha triste ou uma carinha alegre. A criança também precisa descobrir o que aconteceu, o que ela esperava e como se sente depois.
Por exemplo, uma mesma situação pode provocar emoções diferentes. Quando um amigo vai embora, uma criança pode ficar triste, enquanto outra pode ficar brava porque queria continuar brincando.
Além disso, as emoções podem mudar. Podemos começar sentindo raiva e terminar sentindo tristeza, ou ficar felizes e nervosos ao mesmo tempo.
Um estudo de Grosse e colaboradores observou como o vocabulário emocional das crianças se amplia entre os 4 e os 11 anos. Aos poucos, elas vão incorporando palavras que permitem descrever melhor o que sentem.
Podemos aproveitar histórias, brincadeiras e episódios de Cleo e Cuquin para perguntar como os personagens estão se sentindo e o que aconteceu antes. Assim, a criança descobre que uma emoção está ligada a uma experiência, mesmo que nem sempre seja possível deduzi-la só pela expressão do rosto.
Como podemos aprender a reconhecer as emoções com Cleo e Cuquin?
Uma boa forma de começar é assistir juntos ao vídeo “A canção das emoções” de Cleo e Cuquin.
Nesse episódio, o Cuquin quer brincar com um robô que vai se quebrando, e diferentes emoções aparecem. Podemos usar o que acontece para conversar com nosso filho, sem que ele precise conhecer todas as palavras nem responder corretamente.
- Observe o que aconteceu. Antes de perguntar o que o personagem sente, observe com seu filho o que aconteceu. Alguma coisa quebrou? Ele conseguiu o que queria? Aconteceu algo inesperado?
- Pergunte o que ele poderia estar sentindo. “Como você acha que o Cuquin está se sentindo?”. Deixe que ele responda com as próprias palavras. Ele pode dizer que o Cuquin está triste, bravo ou que não sabe.
- Ajude a encontrar palavras. Se for difícil, você pode sugerir algumas possibilidades: “Será que ele está triste porque o robô quebrou? Ou será que ficou com raiva?”.
- Relacione a história com a experiência dele. “Já aconteceu alguma coisa parecida com você?”. Ele não precisa contar uma experiência pessoal se não quiser.
- Fale também sobre o que você sente. Você pode contar que ficou feliz ao terminar alguma coisa ou que ficou frustrado quando algo não saiu como esperava. Assim, ele descobre que as emoções fazem parte da vida de todo mundo.
Não é preciso fazer tudo de uma vez. Às vezes, uma pergunta e alguns minutos de conversa são suficientes.
Para brincar
Reconhecer alegria, tristeza, raiva e medo, dar nome a cada um, se acalmar respirando e buscar uma solução.
Como Está se Sentindo? com a CleoPara imprimir
Detetives das emoções: hoje à tarde, encontre um momento para assistir ao vídeo “A canção das emoções” com seu filho.
Escolham uma emoção que apareça na história e procurem juntos uma situação em que vocês tenham se sentido de um jeito parecido.
Não tem problema se vocês não encontrarem a palavra exata. O desafio é observar, perguntar e descobrir juntos como podemos explicar o que sentimos.
Baixe o desafio “Detetives das emoções” e transformem a próxima aventura de vocês em uma oportunidade para falar sobre emoções.
Baixar PDFPerguntas frequentes
Com que idade as crianças começam a reconhecer as emoções?
Desde muito pequenas, elas reagem ao rosto e à voz das pessoas que cuidam delas. Por volta dos 2 ou 3 anos, começam a usar palavras como “feliz”, “triste”, “bravo” ou “com medo”, e entre os 4 e os 6 anos vão entendendo quais situações provocam cada emoção. Reconhecer emoções mais complexas, como a decepção, ou entender que é possível sentir duas coisas ao mesmo tempo continua se desenvolvendo ao longo de toda a infância.
O que fazer se meu filho ainda não sabe dizer o que sente?
Tudo bem. Ele pode apontar uma imagem, escolher entre duas palavras ou simplesmente escutar.
Se ele confundir tristeza e raiva, evite corrigir na hora. Pergunte o que aconteceu e o que ele gostaria de fazer. Com o tempo, ele terá mais oportunidades de reconhecer as diferenças.
É preciso falar sobre emoções todos os dias?
Não é necessário organizar uma atividade diária. Aproveite os momentos espontâneos: uma brincadeira que dá errado, uma despedida, uma surpresa ou uma história de que vocês gostem.
Como Cleo e Cuquin podem ajudar a aprender sobre as emoções?
As músicas e as aventuras de Cleo e Cuquin podem oferecer situações para observar, conversar e reconhecer emoções. O importante é acompanhar o que assistimos com perguntas e experiências do dia a dia.
Referências
- Denham, S. A., et al. (2003). Preschool emotional competence: Pathway to social competence? Child Development, 74(1), 238-256. https://doi.org/10.1111/1467-8624.00533
- Lieberman, M. D., et al. (2007). Putting feelings into words: Affect labeling disrupts amygdala activity in response to affective stimuli. Psychological Science, 18(5), 421-428. https://doi.org/10.1111/j.1467-9280.2007.01916.x
- Grosse, G., et al. (2021). Let's talk about emotions: The development of children's emotion vocabulary from 4 to 11 years of age. Affective Science, 2(2), 150-162. https://doi.org/10.1007/s42761-021-00040-2
Assinatura da especialista: Valle Molinero, Psicóloga registrada M-33177, Co&Co Training
Data de revisão: 29 de outubro de 2026
Mais guias

Medo do escuro e do desconhecido
Por meio do personagem Pelusin, Cleo e Cuquin mostra que ter medo é normal e que dá para enfrentá-lo pouco a…

Da birra ao aprendizado
Cleo e Cuquin promove a autorregulação emocional, transformando os erros e a frustração em missões de…

Halloween com crianças de 2 a 4 anos
Como aproveitar as fantasias e as brincadeiras sem obrigar os pequenos a enfrentar o que os assusta.
